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sábado, 30 de novembro de 2019

A Pedra (Arquivos)



Se faz arenosa em sua derme, rígida, dura e sedimentar, envolve-a com a palma de sua mão, o atrito causado pela parte pontiaguda da rocha faz brotar dos poros o vermelho bordô, seu pulmão se enche e então esvazia-se novamente seguidas vezes, um pé a frente e outro atrás, preparando-se para um salto violento que não iria dar, fechou os olhos os gritos de fora ecoavam dentro de sua mente, o coração como uma britadeira, e a força surgindo de onde achava-se que não restava nada, sentiu naquela pedra o peso de toda uma história, inclinou o cotovelo para trás, o ângulo perfeito, o vento de fim de tarde bagunçou os seus cabelos a trilha sonora exterior tendo como nota principal os dós agudos e disformes das siren(e)as serviram como estimulo no exato momento em seus dedos embalados pelo impulso de seu antebraço soltaram o pedaço de algo magmático e ele voou, batendo contra a parede transparente formada majoritariamente por areia e carbonato de sódio. Ela estilhaçou e foi como se as luzes que gritavam em vermelho acima dos carros do Estado dessem brados de vitória. 

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