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sábado, 30 de novembro de 2019

O mundo segundo Saint Laurent. (Arquivos)



           Os corpos são magros e esguios, altos, nos momentos de desespero parecem retorcidos, as expressões profundas nos rostos magros quase cadavéricos, emoldurados por cabelos enormes, cacheados, crespos, lisos, desgrenhados, molhados. As peles brilham ao serem tocadas pela luz, negras ou brancas como se estivessem cobertas por óleo, mas as veias não deixam de saltar, os olhos não deixam de demonstrar o desconforto ou apatia enquanto suas figuras se cruzam umas com as outras dentro daquele frame, em alguns momentos na água iluminada por luzes roxas, sobre a cama ou dentro de um labirinto de branco.
          Eles se tocam, se enxergam, se sentem como se fosse à última vez que iriam fazer aquilo, flutuam pela psicodelia das cenas que protagonizam, os corpos sempre em movimento, embalados pela música, pelo prazer, ou pela euforia, tudo se mescla. O que nos resta por fim são as cores e as roupas.
         Preto e branco, plumas, largo e justo, transparência, brilho, óculos escuros em ambientes fechados, alfaiataria e jeans, seda e moletom, perfeitamente concebidos e alinhados naqueles corpos sexualmente tensos, e nada, absolutamente nada deixa de estar devidamente bem vestido.

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