Os corpos são magros e esguios,
altos, nos momentos de desespero parecem retorcidos, as expressões profundas
nos rostos magros quase cadavéricos, emoldurados por cabelos enormes,
cacheados, crespos, lisos, desgrenhados, molhados. As peles brilham ao serem
tocadas pela luz, negras ou brancas como se estivessem cobertas por óleo, mas
as veias não deixam de saltar, os olhos não deixam de demonstrar o desconforto
ou apatia enquanto suas figuras se cruzam umas com as outras dentro daquele
frame, em alguns momentos na água iluminada por luzes roxas, sobre a cama ou
dentro de um labirinto de branco.
Eles se tocam, se enxergam, se sentem
como se fosse à última vez que iriam fazer aquilo, flutuam pela psicodelia das
cenas que protagonizam, os corpos sempre em movimento, embalados pela música,
pelo prazer, ou pela euforia, tudo se mescla. O que nos resta por fim são as
cores e as roupas.
Preto e branco, plumas, largo e justo,
transparência, brilho, óculos escuros em ambientes fechados, alfaiataria e
jeans, seda e moletom, perfeitamente concebidos e alinhados naqueles corpos
sexualmente tensos, e nada, absolutamente nada deixa de estar devidamente bem
vestido.
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