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sábado, 30 de novembro de 2019

Eu queria ir para Paris.

Expressões que se confundem. 
Sorrisos que amarelam-se até se apagarem. 
Uma confusão, exótica, divertida, elegante... Intelectual.
Mas nunca amada, desejada, respeitada.
Um corpo que se expõe ao calor e a chuva da metrópole fracassada. 
Um corpo fácil de se machucar. 

As vezes... Eu queria ir para Paris, onde os meus sorrisos seriam brilhantes e os meus cabelos celebrados.  Onde eu não iria passar pela triagem normativa, onde relacionar-me deixaria de ser degradante e eu poderia conceder amor e o privilégio do toque ao meu corpo para pessoas realmente dignas. 

Em Paris, eu seria amado, respeitado, adorado. Em Paris, meu (tre)jeitos seriam admirados. Em Paris a confusão talvez não fosse acontecer, e eu não ia sentir-me como uma experiência exótica que deve ser vivida por alguém, nem parte da dinâmica absurda de se relacionar. Vamos ver uma equação: 

X + Y = Sexo desorientado. 

A + B = Relacionamento problemático. 

Em que desequilíbrio X levam as pessoas a se relacionarem com Y e insegurança A levam as pessoas a se relacionarem com B. Pessoas = Homens. Já que eles sempre se sentem mais pessoas do que qualquer outra pessoa. 

Em Paris eu poderia respirar arte. Uma vez me disseram que eu não faço parte daqui, que eu não deveria estar aqui. É verdade. Eu não me sinto parte de nada que isso projeta em mim, talvez em Paris eu me sentisse parte de algo. 

Em Paris, amor talvez signifique respeito, fidelidade e cuidado. Em Paris, talvez exista empatia. Em Paris, talvez existam homens como eu. Talvez em Paris eu não me sinta como uma colcha velha de retalhos. Uma colcha nova de retalhos talvez. Uma colcha renovada de retalhos. Já que não tem como fugir dos retalhos, rasgos e quebras. Em Paris talvez, fosse mais fácil parecer e ser tratado como novo. 

Em Paris, muitas coisas seriam melhores para mim, longe de todos eles, longe das pessoas que sou obrigado a me relacionar, pois apenas tenho elas para me relacionar. Em Paris as pessoas vão ao terapeuta e trabalham as suas merdas pra não provocarem merdas nos outros. Tudo seria tão diferente em Paris... Que não sei mais se essa Paris é realmente real.

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